"Fico furioso quando penso em desaparecer um dia — e então vou partir não por uma ou duas semanas, não por quatro nem por quatrocentos anos, mas por todo o sempre. (...) E não é só o mundo que eu perco, não é só tudo e todos que amo. Eu me perco a mim mesmo. Zás — e eis que eu sumi”
Sempre fui o tipo de pessoa que as pessoas correm atrás... Não, não estou querendo me gabar, ou me engrandecer. Não é que todo mundo corresse atrás de mim, não é isso, mas as pessoas que tinham interesse em mim, amigos, familiares, sempre foram eles a me procurar. Não é que eu não sentisse saudades, ou não sentisse falta. Mas sempre tive dificuldade em ter esse tipo de iniciativa. Essa atitude fria me tirou muita gente... E não é que eu não tenha sofrido com isso. Sofri, pra caramba. Eu me lembro de muita gente, que eu adorava e foi embora, e eu, simplesmente deixei ir. Mas eu fico me perguntando às vezes. Quanto tempo mais, eu vou permitir que isso continue a acontecer sem fazer nada? Eu estava aqui hoje, organizando meus e-mails pessoais antigos, e encontrei alguns, alguns que me deixaram deprimida! Eu tive amigos. Amigos que me valorizavam de verdade. E não é que eu não os valorizasse. Eu os valorizava demais. Só que eles nunca souberam disso! Eu me arrependo. E lembro de um amigo. Ele tinha todo um jeito frio de lidar com as pessoas, e ele também tinha dificuldades em demonstrar seus sentimentos, mas isso era só no começo. Depois que ele se afeiçoava a uma pessoa, ele se tornava mais e mais verdadeiro. Era assim que eu o via. Era alguém que, eu acreditava, jamais mentiria pra mim. Eu acreditava na franqueza dele. Eu me lembro da última vez que esteve na minha casa. Foi em maio de 2002. Eu estava grávida do meu primeiro filho. Ele me disse algo que eu nunca vou esquecer. Ele me disse que eu lhe fazia falta, por isso ele me procurava. E mesmo assim, mesmo depois de ter me dito isso com tanta franqueza, eu não fui capaz de ligar uma única vez pra dizer que sentia saudade. E assim o tempo foi passando, a saudade aumentando, mas... Uma relação não pode se sustentar em um único lado, não é mesmo? Eu me lembro da última vez que o vi. Eu sei que ele havia me reconhecido, mas sei também, que se não tivesse tomado a iniciativa, ele teria passado reto, como sempre foi da personalidade dele. Jamais cumprimentar alguém que não o cumprimente primeiro. Isso poupa constrangimentos e eventualmente, mágoas. Mas eu o abracei. Eu o abracei como se tivesse sido ontem, e aquilo me fez muito, muito feliz. Eu me lembro de um amigo. E de como ficava feliz quando ele me chamava de “guriazinha” e sorria aquele sorriso, que era tão aquecedor. Eu me lembro, quando ele me mandou uma mensagem de texto, pedindo que eu parasse de procura-lo, que eu o estava causando problemas com a sua namorada. Eu estava trabalhando quando recebi a mensagem. Eu tive de sair do trabalho, por que eu estava chorando convulsivamente. Eu chorei por uma hora ou mais. Meu noivo na época, hoje meu marido, ficou ao meu lado, tentando em vão me consolar, enquanto “eu chorava por outro homem”, como meu noivo colocou. Meu amigo nunca soube disso, eu nunca disse, hoje eu sei que deveria ter dito, deveria ter demonstrado que me importava. Meu orgulho não permitiu... E lá se foi um grande amigo... Algumas semanas depois, eu o encontrei no ônibus. Ele me cumprimentou com o mesmo “Oi guriazinha” e o mesmo sorriso quente. E eu fiquei extremamente feliz, talvez eu só tivesse entendido errado. Conversamos sobre o que andávamos fazendo e nossos planos para o futuro. Então, quando nós dizemos tchau, ele pôs a mão na minha cabeça, e disse “me desculpa”. E aquelas simples palavras doeram mais do que o todo anterior, por que elas tornavam tudo muito mais real. Eu queria ainda acreditar que a mensagem não havia sido dele, eu queria acreditar que havia um mal entendido, mas não havia. E ele me comprovou isso em duas palavras. Naquele momento senti o nó na minha garganta e os meus olhos transbordarem, mas eu desci do ônibus sem permitir que ele percebesse. E de novo eu chorei, desta vez sozinha, convulsivamente. Eu me lembro de uma amiga. Ela acreditava em mim. Acreditava em nossa amizade. Ela me protegeu quando eu me senti ameaçada, quando me senti insegura, ela me encorajou. Ela acreditava em meu potencial como ninguém. Juntas fizemos planos, de conseguirmos empregos, de morarmos juntas. Ela acreditava em mim. Mas eu traí essa confiança. Não, eu não menti pra ela. Eu só não fui quem ela esperava que eu fosse. Talvez, eu não tenha levado as nossas promessas, tão a sério quanto ela. E talvez, não tenha sido tão sincera quanto ela foi. Mas ela não sabia, naquela época, o quanto era difícil pra mim, dar o pouco que eu dava. O quanto era custoso, falar de mim, ser da maneira que ela queria. Eu acreditava, que aquilo era tudo o que eu podia oferecer. Eu acreditava. Ela me tomou por falsa e superficial. Hoje eu vejo, ela tinha razão. Hoje eu sei. Eu tinha muito mais a oferecer. Muito mais de mim a doar. E ela nunca soube. Eu a amava, de verdade. Eu queria ter sido capaz, de ter compartilhado tudo isso de mim, com ela. Mas eu não sabia. E, mesmo com toda essa minha confusão interna, eu ainda tenho amigos. Alguns poucos, que ainda não desistiram de penetrar nessa casca grossa que sou eu. E eu agradeço. Obrigada. Eu não sou fácil, e não sou simples. Mas, eu me esforço.
Bom, o primeiro mês do Desafio Literário por aqui, foi um sucesso! Com 5 resenhas. Vamos ver do que somos capazes no segundo mês!
Meu Livro nº 1 do Desafio Literário de Fevereiro foi
Eragon de Christopher Paolini da Editora Rocco.
Eragon e Saphira, dois herós de personalidades fortes e contrastantes, dividindo um destino comum. Saphira, uma jovem dragão, arrogante e, por vezes agressiva, porém cheia de honra e princípios. Eragon, um jovem forte, independente, e com o coração cheio de dor e vingança. Unidos pelo destino, eles têm de enfrentar provações, perseguições, e inevitávelmente, escolher um lado, em uma guerra da qual eles nem queriam fazer parte. Eles se veem imersos em uma trama de poder entre o Império liderado por Galbatorix, ultimo cavaleiro de dragão e traidor da Ordem dos Cavaleiros, e os Varden, ultima aliança ainda resistente ao Império. Eles precisam escolher um lado.
O que gostei em Eragon e Saphira, é que em sua busca por um lugar neste mundo, eles sempre buscam o objetivo de jámais se corromperem, ou se tornarem armas de outros. Eles buscam fazer o que é certo para o todo, e não somente para alguns, e esse é o espírito do verdadeiro herói. O que eu não gostei em Eragon, é que ele desmaia demais! Toda a vez que a situação fica complicada ele desmaia, e precisa de uma "babá" para cuidar dele!
A fotografia, a descrição dos lugares e cenários, é linda demais! É um lugar realmente mágico, e as descrições de Christopher Paolini, não somente dos cenários, mas também das criaturas, são reamlente fantásticas! As descriçoes são detalhadas sem se tornarem cansativas.
Embora seja constantemente criticado pelos fãs de Tolkien, como uma copia barata e mal feita, começando pelo nome das personagens (Eragon/Aragorn - Arya/Arwen) e seguindo com a criação de uma língua própria, nem de longe tão copleta quanto as de Tolkien. Acho que o livro merece seu próprio crédito! acredito que não tenha livro de elfos e dragões que não leve um pouco da inspiração de Tolkien. O livro tem boa construção, boa narrativa, boa trama, personagens cativantes, um cenário maravilhoso! O livro tem profundidade e tem, sim personalidade.
Eragon Autor: Christopher Paolini Editora: Rocco ISBN: 978-85-61384-44-6 êêêêê
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