quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Diário Literário - Frankenstein

     Desafio Literário – Fev/12 – Títulos com Nome Próprio
     O que é esse Desafio Literário?
     Tudo sobre o desafio Literário.

     Depois de Eragon, parecia impossível ler um livro melhor. E de fato, ainda parece.

     Meu Livro nº 2 do Desafio Literário de Fevereiro foi Frankenstein de Mary Shalley da Editora Rocco.

Ilustração de Lynd Ward
     Lendo Frankenstein de Mary Shalley, descobri muitas coisas, principalmente, que uma porção de coisas que eu pensava que sabia a respeito de Frankenstein estavam erradas:
     1º. Frankenstein não é um livro de terror, é um livro de drama;
     2º. A Criatura (que não se chama Frankenstein) não é verde, não tem a cabeça quadrada, e não tem parafusos no pescoço.
     3º. Sabe aquela cena clássica, de como o Frankenstain ganha vida? Com toda aquela parafernália de máquinas, e eletricidade? Pois é, aquilo não existe. Dr. Frankenstein, nunca, jamais, mensionou como deu vida à Besta, isso seria perigoso, pois alguém poderia tentar recriar seu intento.
(O que, vamos combinar, podia funcionar no Séc. XVII, mas no Séc. XXI, essa falta de explicação, não cola!)
     4º. O Monstro (que não se chama Frankenstein), não foi construído com partes de corpos de defuntos (não exatamente). Ele foi construído orgão a orgão, parte por parte, minuciosamente, utilizando como matéria prima restos mortais de criaturas (todo o tipo de criaturas mortas).
     5º. O Dr. frankenstein, era um cientísta a frente de seu tempo. Possuía profundo conhecimento da anatomia humana, tão minuciosamente, que era capaz de produzir um ser artificial, e acender-lhe a centelha da vida. Mas não tinha faculdades mentais suficientes para construir uma fêmea estéril! O_º

     "Mesmo que viessem a deixar a Europa e habitar as paragens do Novo Mundo, poderia advir que um dos primeiros resultados do relacionamento por que suspirava o monstro fosse a geração de filhos, e uma raça de demônios se propagaria pela face da Terra, espalhando o terror entre a espécie humana." ¬.¬

     6º. Mary Shalley(Segundo a Wikkipedia), quando escreveu Frankenstein, vivia com o poeta Percy Shelley, tendo já perdido o primeiro filho e tendo um segundo filho com este, que era casado com outra mulher, com quem também tinha um filho. eles tinham um relacionamento aberto e defendiam o amor livre.O_O Em pleno sec. XVII. Não me considero uma pessoa puritana, nem tampouco conservadora, mas, Percy é casado com Harriet, mas vive com Mary e com Claire (ao que tudo indica, tem relações íntimas com ambas), porém Claire tem um romance com Lord Byron, e um filho com este... É confuso, ou não é?
     Bom, a história do livro começa com cartas escritas por Walton, um explorador, conduzindo uma expedição, com o intuito de alcançar pela primeira vez o extremo norte do planeta, à sua amada irmã, onde ele narra os detalhes de sua expedição. Eis que em uma de suas cartas, ele narra o estranho evento, onde resgatam um homem, vagando sobre o mar congelado em um trenó puxado por cães, longe de qualquer civilização. Curioso sobre a história do tal homem, acabam por se tornar amigos, e eis que então, o Dr. Frankenstein, lhe conta a tragédia de sua vida! Onde ele, uma vez um brilhante cientista, com um futuro promissor e uma vida de alegrias, destruiu tudo o que possuía e encontrou a sua ruína.
     Não me entendam mal, o livro não é ruim. Ele só é, na minha opinião, ingênuo demais! Acho que quando lemos um clássico, é normal esperarmos demais. E é claro, se eu levar em consideração, que o livro foi escrito por uma jovem de 19 anos do século XVII, então, acho que posso dizer que o livro é fantástico. Mas, se eu levar em consideração todos os livros que já li, então ele é fraco e um tanto vazio, esparço e com muito pouca explicação.

     "Pare, demônio, de vociferar e de envenenar o ar com suas imprecações! Não sou nenhum covarde para atemorizar-me com palavras! Nada me demoverá! Siga seu caminho!
     — Está bem. Vou-me; mas lembre-se de que estarei presente à sua noite de núpcias.
     Avancei num salto e exclamei:
     — Víbora! Antes que assine minha sentença de morte, trate de estar a salvo você mesmo!"

     Mas heim? Há no mundo outra forma de interpretar as vis ameças da infame criatura de outra fora que não:"— Eu vou matar sua esposa."? Esse é o gênio da ciência?
     Em contraparte, tem cenários incríveis, descritos com paixão, de alguém que realmente esteve nestes lugares, e realmente amou estar neles. Acredito que estas são as melhores partes do livro.


     Frankenstein

 
Autor: Mary Shalley
Editora: Martin Claret
ISBN: 978.85.723.27.70.1
Nº de Pág.: 220
Início - Fim da Leitura: 01/02 - 10/02
Páginas por Dia: 24
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6 comentários:

Mione disse...

Concordo com o que tu falou, sobre ser ingênuo e tudo mais... Mas acho que o grande fator que levou a ser um clássico é que ninguém, nem o Lord Byron, tinha pensado num ser tão horrível e bestial. Esse diferencial fez com que a novata escritora já saísse na frente, com a história original.
Pode perceber, existe outro bicho desse na história da literatura? O que vemos são vampiros, lobisomens, zumbis, mas nunca um Monstro criado por um cientista.

Acho que ela tem esse mérito, mesmo que repita diversas vezes os mesmo pensamentos no livro e faça do cientista um sentimental ao extremo.

E não sabia desse bacanal no relacionamento dos Shelley hahaha

Boa postagem!

Mayllee-Chan disse...

É verdade, Mione, ninguém depois de Mary se aventurou a criar algo tão grotesco. Nem antes, nem depois.
Mas, mesmo assim, me irritou um pouco a sua narrativa toda forrada de preconceito. Como, se uma criatura por que é feia, tem de ser má, está em sua natureza e feiura! Como se fosse só questão de tempo.
Achei preconceituoso a maneira como ela distingue os bonitos dos feios, os inteligentes, dos menos letrados.

Reiner Requião disse...

Olá Mayllee-Chan,

Que resenha boa de ler heheheeheh! Acabei de ler o livro (ainda vou fazer a resenha) e concordo em muitas partes com vc. A da noite de núpcias eu falei, nossa, era óbvio kkkkkkkkkk

Mas ainda assim não vi preconceito da parte da Shelley, pelo contrário, acho que ela quis mostrar que nós seres humanos temos esse tipo de imagem, o que é bonito é bom. Tanto que mostra o sofrimento do monstro e talz.

Agora eu fiquei pensando, onde foi que aprendi sobre essa história? desenhos infantis talvez? pq pensar no monstro como verde, cabeça quadrada e um parafuso? E também, tinha a imagem que o monstro mata com as próprias mãos o Frank, hehehe!!! Loucura essa sociedade!!

Um abraço,

Mione disse...

Hoje eu vi o filme de 1931. Gente, NADA A VER. O Cinema retrata a história totalmente diferente!
O Henry é o cientista, o victor é o padrinho de casamento dele e da Elisabeth, e todo mundo sabe da existência do monstro xD
Bizarro!

Marília Barros disse...

Interessante a sua resenha. Eu li Frankenstein e fiz até um trabalho sobre ele e concordo com algumas partes da resenha (embora uma das coisas que eu menos gostei foi as descrições... Achei entediante). O que eu particularmente gosto é da narração da criatura. Não acho que a criatura seja a vilã da história (e muito menos Victor o mocinho!) e adorei ver o seu desenvolvimento e sua relação com os humanos (apesar de ter muita coisa estranha, ela aprende a ler muito rápido!).
O livro pode ter um monte de falhas na execução, mas acho a premissa e as mensagens que passa (principalmente em relação à ciência) muito válidas.

Michelle disse...

Eu adoro Frankenstein. Acho que a ingenuidade é apenas uma interpretação. Eu penso que o mote de Frankenstein é muito moderno: pessoas que brincam de ser Deus. A linha que separa a medicina consagrada de inventores considerados loucos é muito tênue. Muitas mentes brilhantes já foram consideradas insanas e, no fundo, o Dr. Frankenstein foi movido por amor.
Bom, mas qualquer que seja a interpretação, Frankenstein vale muito a pena de ser lido, nem que seja só para fazer descobertas, como as que você fez.
bjo!

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